A universidade é mesmo necessária?

A universidade é mesmo necessária? É válido o sacrifício de deixar boa parte das próprias economias e muito do suor e energia para algo que promete abrir as portas do mundo inteiro, mas entrega muito menos até daquilo que seria sua obrigação?

Há tempos, ao menos no Brasil, a universidade deixou de ser o principal local de difusão do conhecimento. Aquela ideia da academia, onde se encontram os gênios e de onde sai a elite pensante de um país, se tornou apenas um símbolo, uma intenção, mas que já não representa, de maneira alguma, a realidade.

As faculdades se tornaram meros centros profissionalizantes que se, ao menos, entregassem para o mercado bons profissionais, estariam ainda cumprindo um papel de alguma relevância. Porém, nem isso elas fazem mais. Se tornaram meramente uma exigência formal para determinadas profissões e um requisito habitual para boa parte das empresas. Na prática, porém, se tornaram incapazes de habilitar as pessoas para o que há de mais rasteiro: cumprirem seus papéis básicos de proletários.

Além disso, a ampliação da oferta de cursos superiores tirou da universidade sua característica mais marcante: de ser o centro de uma elite pensante, de onde deveriam sair os líderes da nação. Agora, o que resta é apenas a massificação do ensino, a democratização do pensamento, igualando nos níveis mais baixos todos os alunos.

Além disso, há a notória infiltração ideológica, que além de diminuir a importância das questões mais elevadas, prioriza a propaganda, o discurso que corrobora a visão política, tornando o ambiente acadêmico além de pobre intelectualmente em um campo onde professores tentam usar seus alunos como massa de manobra em favor de sua ideologia.

Diante disso, urge refletir sobre a real necessidade de se entregar por anos a um curso universitário. Até que ponto vale a pena despender tanto dinheiro, tempo e energia em algo que provavelmente não corresponderá ao investimento feito?

Pode ser que, em determinadas circunstâncias, fazer uma faculdade seja realmente necessário. Porém, quem tiver que trilhar por esse caminho deve fazer isso consciente da realidade. Ninguém deve ingressar em uma universidade esperando dela a absorção de extenso conhecimento, nem o encontro de um ambiente intelectualmente superior.

Na verdade, para quem for realmente estudioso, se não tomar cuidado, a faculdade pode mais atrapalhar que ajudar.

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A entrega exigida do autor intelectual

escritor-sofrendoPara empreender uma vida intelectual produtiva, muita concentração é exigida. Não apenas aquela atenção necessária para o momento da produção, mas uma consciência quase intermitente das razões fundamentais e dos objetivos buscados. Como o trabalho intelectual, quase nunca, é fruto de um átimo, não basta separar momentos de isolamento e dedicação exclusiva, mas é preciso que a matéria da qual trata esteja constantemente na mente do autor. … Leia mais

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Radicalismo sem profundidade

radicalismoHá aquelas pessoas que nunca tiveram qualquer contato com as doutrinas e teses que povoam o ambiente cultural. Existem, porém, outras que se debruçam sobre os temas, tentando entender o máximo que puderem sobre o que estudam. E, ainda, há aquelas que conhecem um pouco o assunto, estudam o mínimo possível sobre ele, leem algo aqui e ali e sabem se situar mostrando que entendem o necessário para, pelo menos, dar a impressão de que conhecem o que estão falando, sem, de fato, se esforçarem em um aprofundamento em relação ao que está diante de seus olhos. Os primeiros costumam simplesmente ignorar a existência da coisa, o que a torna como algo fora de seu universo de interesse. Os segundos, por seu lado, tendem a, quanto mais se aprofundam, encontrarem mais questionamentos que respostas, descobrindo, assim, que a verdade pode ser bem complexa. Porém, é entre os últimos que se encontram grande parte daqueles que se tornam protetores incondicionais de um ensinamento, paladinos histriônicos de uma doutrina, guerreiros enérgicos em favor de um pensamento. A verdade é que os mais barulhentos defensores de uma ideia são normalmente aqueles que sabem só um pouco sobre ela.

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