A inteligência limitada

A inteligência normal analisa os fatos e as ideias e daí tira os conceitos. A inteligência limitada, que, aliás, adora emitir opiniões, já tem os conceitos todos formados em sua cabecinha e, a partir deles, interpreta a realidade.

Ainda que se diga que as coisas são de tal e tal maneira, ela não consegue entender, pois a descrição, por mais exata que seja da realidade, não coaduna com as frases, os slogans e as nomenclaturas pelos quais ela aprendeu a enxergar tudo.

Para essa inteligência atrapalhada, o outro está errado, não por alguma falha lógica que tenha cometido, mas, simplesmente, porque as ideias dele não se encaixam no fantástico mundo projetado por ela.

Rebuscamento afetado

A mente confusa, principalmente quando seu portador possui algum tipo de cultura literária, torna-se uma fonte inesgotável de palavras grandiloquentes, porém sem nexo. A pomposidade da expressão acaba por servir de película protetora sobre a falta de consistência daquilo que se está tentando dizer. De maneira paradoxal, é exatamente esse rebuscamento afetado que torna tudo tão inacessível e, ao mesmo tempo, misterioso, como se fosse algum tipo de sabedoria esotérica, fazendo com que seus autores sejam cultuados como representantes de uma inteligência superior. E essa prática vai se retroalimentando, de tal forma, criando uma elite de estúpidos orgulhosos, que se torna cada vez mais difícil encontrar as possíveis pérolas que possam existir em meio a tanto esterco publicado. No fim das contas, a intelectualidade acadêmica acaba servindo apenas para esconder o que pode haver de verdadeiro conhecimento dentro das universidades e no mundo científico, prestando-se ao papel exatamente contrário para o que existe. Seria muito melhor se fossem mais humildes e seguissem o conselho de Mark Twain: “Se você não tem nada a dizer, não diga nada“.

A beleza da inteligência 

Um estudioso é, antes de tudo, humilde. O mero ato de abrir um livro subentende o reconhecimento ou, no mínimo, a esperança de que o autor tenha algo para lhe ensinar.

Além do que, se ele estuda é porque reconhece que precisa aprender e o ato de se abrir para o conhecimento disponível é de uma beleza indescritível.

Por isso, acho a afetação de quem se considera inteligente uma estupidez. Um pretenso intelectual arrogante, que se coloca diante dos outros como um superior, dá a prova cabal de que seu coração está posto no lugar errado.

Quem mais estuda mais aprende que há um infinito de coisas ainda a se saber. Um verdadeiro scholar tem plena consciência que por mais que conheça, existe muito mais a se conhecer, o que deveria obviamente torná-lo humilde diante dessa realidade.

Não que ele precise ser um bruto ou fingir que nada sabe. Longe disso! Sua postura deve ser de alguém que sabe exatamente sua posição, sem valorizar-se além do que realmente vale, nem desvalorizar-se como se não possuísse valor algum.

Na verdade, a beleza da inteligência está em não ser afetada a ponto de se tornar uma caricatura, nem rústica a ponto de parecer óbvia. Basta ser autêntica. Aí está seu encanto. Nisto reside sua formosura.