A consideração da intenção construtiva como método de estudo da História

Meu método, ao estudar história, consiste em considerar que os objetivos dos grandes personagens são, em sua maior parte, positivos. Como positivo, porém, eu não quero dizer que são bons ou que queiram o bem, mas sim que pretendem alcançar algo, e não apenas destruir. Aspiram algo melhor, ainda que este melhor exista apenas dentro de suas cabeças.

Isso não quer dizer que, por esse método, devo ignorar as atrocidades cometidas no desenrolar histórico. Muito pelo contrário! Porém, assumo, em meus estudos, que, mesmo essas atrocidades, invariavelmente, possuem elementos de intencionalidade construtiva, ainda que seja a construção do Inferno na Terra. O fato é que considerar essa intencionalidade ajuda muito a entender os movimentos históricos.

Mesmo crápulas como Stálin, Hitler ou Napoleão, apesar de toda frieza e crueldade demonstradas, possuíam objetivos que não visavam apenas a destruição pura e simples, mas ansiavam pela implementação de algo, ainda que este algo houvesse sido forjado em suas mentes doentias. É isto que eu chamo de aspecto construtivo da intencionalidade do personagem histórico, ou seja, aquilo que ele pretende concretamente alcançar.

A questão é que eu não considero descrições como psicopatia, maldade, crueldade ou mente criminosa suficientes para permitir a compreensão dos fatos em seus significados mais amplos. Elas podem até ajudar nesse entendimento, como fatores explicativos de atitudes, porém, quando tomadas como causas principais, tornam-se meros simplismos, que pouco colaboram para que o fato histórico seja entendido.

Ao usar, portanto, o método da consideração das intenções positivas, deixando as subjetividades, os interesses particulares e os caracteres pessoais em um segundo plano, sem ignorar, é óbvio, sua importância, sabendo que eles possuem força suficiente para causar grandes movimentos históricos, meu objetivo é procurar, o máximo possível, entender quais eram as ideias e os valores que sustentaram e facilitaram mesmo os atos mais vis e as atitudes movidas pelos interesses mais mesquinhos.

O pressuposto basilar desse método é que não há ato relevante na história que não tenha sido sustentado por intenções supostamente superiores que justificassem as perdas provenientes dele e ajudassem a que, em determinado momento, fosse aceito por uma quantidade considerável de pessoas.

A verdade é que a consideração dessas intenções, em uma análise inicialmente menos valorativa, é o que permite mergulhar nas mentes dos personagens históricos e, com isso, se aproximar de uma compreensão mais fiel das razões e dos motivos que propiciaram que os fatos ocorressem da maneira como ocorreram.

De fato, aplicar este método tem uma certa relação com a necessidade de entender a cabeça do inimigo, quando se pretende melhor combatê-lo. No caso do historiador, talvez não se trate exatamente do inimigo, mas de um personagem histórico que, para ser melhor compreendido e interpretado, precisa ter sua mente investigada de uma maneira mais imparcial, em princípio. A ideia é bem compreender antes para julgar somente depois.

De qualquer forma, tudo isso não significa que seja possível, ou mesmo necessário, tentar fazer uma análise completamente isenta da história. Porém, estou certo que é impossível entender qualquer fato dela sem antes fazer um esforço para compreender a forma de pensar de seus atores.

A inteligência limitada

A inteligência normal analisa os fatos e as ideias e daí tira os conceitos. A inteligência limitada, que, aliás, adora emitir opiniões, já tem os conceitos todos formados em sua cabecinha e, a partir deles, interpreta a realidade.

Ainda que se diga que as coisas são de tal e tal maneira, ela não consegue entender, pois a descrição, por mais exata que seja da realidade, não coaduna com as frases, os slogans e as nomenclaturas pelos quais ela aprendeu a enxergar tudo.

Para essa inteligência atrapalhada, o outro está errado, não por alguma falha lógica que tenha cometido, mas, simplesmente, porque as ideias dele não se encaixam no fantástico mundo projetado por ela.

A entrega exigida do autor intelectual

escritor-sofrendoPara empreender uma vida intelectual produtiva, muita concentração é exigida. Não apenas aquela atenção necessária para o momento da produção, mas uma consciência quase intermitente das razões fundamentais e dos objetivos buscados. Como o trabalho intelectual, quase nunca, é fruto de um átimo, não basta separar momentos de isolamento e dedicação exclusiva, mas é preciso que a matéria da qual trata esteja constantemente na mente do autor. … Leia mais

O esforço necessário ao exercício intelectual

esforco-intelectualEm uma cultura como a brasileira, tão avessa às questões mais elevadas, o empreendimento intelectual costuma ser visto como uma forma fácil de se viver, que não exige esforço, que não resulta em suor. As pessoas tendem a valorizar o esforço físico, vendo este como verdadeiro trabalho, enquanto quem passa o dia atrás de uma mesa, ainda que seja escrevendo uma enciclopédia, não tarda a ser chamado de sedentário. … Leia mais

Professor por vocação

Há os professores por profissão, que cumprem seus papéis, que são responsáveis, que gostam do que fazem e que até dão boas aulas. O mundo precisa deles. Se a maioria dos profissionais da educação fosse como eles, praticamente todos os problemas na área estariam resolvidos. Mas existe um grupo mais escasso, representado por poucos dentro do universo da pedagogia, e que não apenas oferece aulas satisfatórias dentro da matéria ministrada, mas torna o conhecimento dela algo altamente desejável.

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