O problema da concentração nos estudos

Muito do problema da inteligência se encontra na concentração. Às vezes, mais do que ter a capacidade de guardar os dados, é preciso ter a capacidade de absorvê-los adequadamente, e isso significa não permitir que elementos externos criem ruídos durante esse processo. Isso porém não significa que o silêncio absoluto seja suficiente para garantir a melhor absorção intelectual seja do que for. Isso porque muitos dos ruídos não vêm exatamente de fatores ambientais, mas surgem do próprio cérebro de quem está tentando estudar.

Aprender como manter a mente exclusivamente direcionada para um único objeto é o grande desafio de qualquer intelectual. E, apesar de haver diversas técnicas que são apresentadas ao público periodicamente, ensinando como desenvolver a capacidade de concentração, não há nada que mantenha alguém mais absorto em um assunto qualquer do que o interesse, ou seja, do que o amor pelo tema.

A consideração da intenção construtiva como método de estudo da História

Meu método, ao estudar história, consiste em considerar que os objetivos dos grandes personagens são, em sua maior parte, positivos. Como positivo, porém, eu não quero dizer que são bons ou que queiram o bem, mas sim que pretendem alcançar algo, e não apenas destruir. Aspiram algo melhor, ainda que este melhor exista apenas dentro de suas cabeças.

Isso não quer dizer que, por esse método, devo ignorar as atrocidades cometidas no desenrolar histórico. Muito pelo contrário! Porém, assumo, em meus estudos, que, mesmo essas atrocidades, invariavelmente, possuem elementos de intencionalidade construtiva, ainda que seja a construção do Inferno na Terra. O fato é que considerar essa intencionalidade ajuda muito a entender os movimentos históricos.

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A inteligência limitada

A inteligência normal analisa os fatos e as ideias e daí tira os conceitos. A inteligência limitada, que, aliás, adora emitir opiniões, já tem os conceitos todos formados em sua cabecinha e, a partir deles, interpreta a realidade.

Ainda que se diga que as coisas são de tal e tal maneira, ela não consegue entender, pois a descrição, por mais exata que seja da realidade, não coaduna com as frases, os slogans e as nomenclaturas pelos quais ela aprendeu a enxergar tudo.

Para essa inteligência atrapalhada, o outro está errado, não por alguma falha lógica que tenha cometido, mas, simplesmente, porque as ideias dele não se encaixam no fantástico mundo projetado por ela.

A explicação forçada dos cientistas

Algo que me soa bastante irritante é a insistência dos novos cientistas de interpretar todo comportamento humano com base em uma suposta evolução. Observam algo que as pessoas fazem hoje e dizem que isso é fruto de um processo adaptativo iniciado nos primórdios. Li, por exemplo, que somos invejosos porque nos tempos das cavernas isso era uma forma de sobreviver ao ver que o caçador vizinho havia conseguido um pedaço de carne maior. Como é possível saber isso, senão por um exercício de imaginação? E, convenhamos, esta não é uma atitude nada científica.

Não quero negar que haja algum processo de adaptação. Não tenho os dados para isso, como ninguém tem para confirmá-lo. No entanto, essa explicação “ex post facto” me parece mais uma forma de forçar uma explicação convincente, ainda que ela não esteja disponível. É fruto desse problema que as pessoas têm de aceitarem que há coisas que, ainda que temporariamente, não podem ser entendidas.

O hábito de repetir as leituras

As pessoas costumam ler, mesmo os bons livros, apenas uma vez na vida. Agem assim porque entendem que uma leitura é suficiente para absorver o que o livro tem para oferecer. A consequência, no entanto, é que acabam desperdiçando muito do que o livro pode dar.

isso porque somos pessoas muito diferentes nas diversas fases que passamos nesta vida e se, nessas diferentes fases, repetíssemos as leituras que fizemos nas anteriores, teríamos perspectivas bem diversas daquelas que tivemos antes.

A cada período de nossa vida temos conhecimentos novos que se acumulam, experiências que se sucedem e, para aqueles que têm um impulso filosófico, reflexões e insights que periodicamente se apresentam. Sendo assim, seria mesmo impossível interpretar as mesmas leituras da mesma maneira sempre. É outra cabeça que está pensando sobre o livro, são ouros olhos que o veem.

É por isso que a Bíblia e os grandes livros devem ser lidos de novo, de tempos em tempos. Afinal, nunca é o mesmo homem que os lê.